Sociedade Recreativa e Musical Loriguense

A Banda Filarmónica de Loriga foi fundada por Joaquim Gomes de Pina, o da organização e da iniciativa, e Matheus de Moura Galvão.

Fundadores

Apesar de alguns textos mencionarem mais fundadores, consideramos este propósito um lapso cometido subsequentemente porque de facto, nos jornais da época publicados no Pará e em Manaus (Echos de Loriga – 1906 e A Voz de Loriga - 1909), o nome de Joaquim Gomes de Pina é tido como o timoneiro e considerado o homem da iniciativa e da organização, sendo intitulado pelo articulista e diretor do jornal, Jeremias Alves Nunes de Pina, ”(…) como digno do maior elogio, tão nobre e altruístico procedimento”. Sabemos ainda que a sua fundação foi de loriguenses emigrados no Brasil, cito: “(…) organizada sob as inspirações de loriguenses repatriados foi entregue a sua direcção aos que do ambiente de Loriga nunca se arredaram (…)”.

Data de fundação

Quanto ao ano da fundação da S.R.M.L – Sociedade Recreativa Musical Loriguense – na época, “PHILARMONICA LORIGUENSE”, apenas podemos acrescentar que a data de 1 de julho de 1906 foi a adotada por corresponder ao dia em que saiu à rua pela primeira vez. Seria numa procissão durante a festa do S. S. Coração de Jesus que se realizou em Loriga entre 30 de junho e 1 de julho de 1906. Porém, podemos adiantar que já estava em funcionamento em maio desse mesmo ano de 1906, conforme podemos atestar através do relato entrevista de um loriguense vindo de Loriga e chegado a terras de Vera Cruz, publicado em 28 de outubro de 1906 e referido no jornal “Echos de Loriga”: “(…) que o pavão que nada contribuiu para a Philarmonica, ocupava agora o cargo de secretário e depois disso tem feito um papel tão mesquinho que me repugna contar (…)” . E continua: “(…) No mez Mariano, o director da philarmonica, o nosso bom amigo Joaquim Gomes de Pina, a poz à disposição do tal pavão, para tocar no coro da igreija, durante a festividade. No último dia do mez de Maio, o mez das flores e dos amores, acabada a novena em honra a Santíssima Virgem, deu ao mestre da fanfarra, quarenta reis de cigarros Marechaes, para elle os distribuir pelos seus discípulos que ao todo são trinta. O mestre, que é bem educado, guardou os cigarros no bolço, para em ocasião mais oportuna os dividir por eles, como o pavão lhe tinha recomendado (…)”. E mais à frente, ainda escreve: “(…) Num dos dias de Junho, estavam reunidos na casa de ensaio, cada um nos seus logares. O mestre, levantando-se da sua cadeira, pediu atenção e começou assim falando. - Rapaziada, tenho em meu poder dois vinténs de cigarros Marechaes, ou sejam quatorze, que o nosso… pavão deu para distribuir por todos nós. Somos trinta rapazes, e como vêem não chegam. Um, então interrompendo as palavras do mestre, disse por galhofa. Repartem-se ao meio (…) O mestre respondeu que não é que d´essa forma ainda não dava, que fossem tirando um a um que para aquele que faltasse cigarro tinha tabaco para o fazer. Puchou, então de uma bolça com tabaco, e apresentou a rapaziada (…)”.

Se algumas dúvidas existiam em relação à materialização da ideia de criar uma Banda Filarmónica, estes documentos facilmente contribuiriam para a sua dissipação. Não restam dúvidas e por serem tão importantes, quisemos partilhar convosco esta e outras informações. Podemos afirmar que a fundação da S.R.M.L – Sociedade Recreativa Musical Loriguense – na época, “PHILARMONICA LORIGUENSE”, era já uma realidade anterior à data de 1 de julho de 1906. Estamos certos de que a data adotada para a sua fundação está associada, como atrás dissemos, à sua primeira atuação na dita procissão da festa em Loriga do S. S. Coração de Jesus em 1 de julho de 1906. No jornal “A Voz de Loriga” de 12 de julho de 1925 na página 2, há uma informação de que a Sociedade Filarmónica União Loriguense, como na época era designada, uma alusão à sua fundação, cito: “(…) Soubemos com regosijo que esta brilhante sociedade, que ha alguns meses se encontrava quasi sem vida e prestes a socumbir completamente, vai novamente continuar na sua faina gloriosa encetada ha 19 anos e que nos últimos tempos atingiu o seu auge. É seu regente atual o Sr. António Mendes Simão, que já era seu contra-mestre (…)”.

Uma certeza nos parece verosímil: a ideia da fundação de uma Banda Filarmónica em Loriga é decerto compaginável nos finais do século XIX e talvez seja plausível concorrer em simultaneidade com a veneração a Nossa Senhora da Guia em Loriga no ano de 1884. Contudo, só mais tarde foi possível concretizar esse ideário da musicalidade.

Não obstante estas interrogações, sabemos contudo que as primeiras atuações conhecidas são:
No “Mez de Maria” – maio de 1906 – na igreja de Loriga.

  • Entre os dias 30/06 e 1/07/1906 numa procissão da festa do S. S. Coração de Jesus.
  • No dia 5/8/1906 - data da sua 1.ª grande atuação – Festa de Nossa Senhora da Guia;
  • No dia 8 de setembro de 1906 dia do batismo de Amélia, filha de Joaquim Gomes de Pina;
  • No dia 16 de setembro de 1906 na 1.ª festa fora de Loriga - Santa Eufémia em Sazes.

A Banda de Loriga fez diversas atuações durante todos estes anos, nomeadamente em Lisboa (diversas vezes), Coimbra, Viseu, Miranda do Douro, Macedo de Cavaleiros, Mogadouro, Figueira de Castelo Rodrigo, Trancoso, Meda, Figueira da Foz e muitas outras Vilas e Aldeias de Portugal, não esquecendo em particular a ida aos Açores; chegando inclusive a gravar um CD decorria o ano de 2002. Também inserida nas comemorações do dia 10 de Junho de 2005 (dia de Portugal e das Comunidades), a Banda de Loriga deslocou-se ao Luxemburgo, fazendo a sua primeira internacionalização.
Integrou-se ainda em Festivais de Bandas em Vouzela, Oeiras, Manteigas, Seia, Ericeira, Silvares, Vila de Carvalho, Fundão, Covilhã, etc.

Maestros

Desde o início da musicalidade, os seus maestros foram:

  • 1906 Juan Martinez/António Alves;
  • 1907-1908 António Alves/Narciso Marques;
  • 1909 Narciso Marques/Carlos Simões;
  • 1909-1914 Carlos Simões Pereira;
  • 1915-1921 António Mendes Simão;
  • 1922-1924 Carlos Simões Pereira;
  • 1925-1926 António Mendes Simão;
  • 1927-1936 António de Brito Pereira;
  • 1937-1941 Carlos Simões Pereira;
  • 1942-1948 António de Brito Pereira;
  • 1949-1953 António Pinto Ascensão:
  • 1954-1961 Carlos Simões Pereira;
  • 1962-1965 António Pinto Ascensão;
  • 1966-1968 Carlos Simões Pereira;
  • 1969-1973 António Luís de Brito;
  • 1973-1974 António Luís de Brito/António de Brito Amaro;
  • 1975-1977 António de Brito Amaro;
  • 1978-1981 António de Brito Pereira/António Alves Pereira;
  • 1982-1987 António Pinto Ascensão;
  • 1987-1989 Manuel Pancão Cola;
  • 1989-1990 José Augusto Malva Craveiro;
  • 1991-1992 Jorge Manuel Reis Pereira;
  • 1992-1993 João Carlos Brito/Victor Moura;
  • 1994-2003 Victor Manuel Brito Moura;
  • 2004-2005 Jorge Manuel Reis Pereira;
  • 2006-2008 Miguel Ângelo Almeida Gonçalves;
  • 2009-2016 Victor Manuel Brito Moura.

Os 110 anos de vida - publicados em livro da autoria de Augusto Moura Brito - que a Banda Filarmónica comemora em 2016, num claro e inelutável dinamismo de força congregadora da musicalidade, é um sinal inequívoco de que esta Instituição tem sabido promover a música e contribuído para a defesa, divulgação e promoção de Loriga e das suas Gentes.

Todos sabemos que o caminho percorrido desde o ano de 1906 não foi fácil mas, com a tenacidade e a vontade que muitos lhe devotaram - quer estivessem perto ou distantes - seria a força contributiva e decisiva para que a Banda Filarmónica de Loriga nunca se desmoronasse e perdesse o rumo, procurando sempre um futuro onde a ambição fosse uma determinação, o trabalho uma metodologia e a qualidade dos seus sons o seu principal objetivo. Dignificar a música e contribuir para a formação humana - visão holística - e musical dos seus músicos, foi sempre um desígnio dos seus responsáveis.

Ao longo da sua vida centenária foram muitos os que se empenharam com paixão, com alegria e com amizade, ajudando-a a permanecer na vanguarda dos sons que sempre a caraterizaram, projetando-a no concelho, no distrito e no país que muito merecidamente soube acolhê-la e festejá-la. Os sons e as melodias da sua música que sempre ecoou e tocou com mestria fizeram dela a nossa embaixadora e a nossa fonte de inspiração, regozijo e consideração.

In, Da Philarmonica Loriguense à Sociedade Recreativa Musical Loriguense:
Um percurso histórico (1906-2016)

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