Gentes do Terreiro do Fundo

Autoria | Maria Goretti Pina Melo (Carvalho)

Criado em | Novembro 2015

Estilo poético | Quadras

PARTE I

Vim ao Gentes de Loriga
Procurar fotos, notícias…
Folheei as suas páginas,
Encontrei coisas bonitas!

As quadras da amiga Eugénia
Escritas com tanta graça
Falando da sua "Amoreira"
Logo ali, pôs tudo em praça.

Fui desfolhando e encontrei
Versos de outra menina
Desafiava outras mais
A seguir a sua "sina"!

Era a Luz da Mariaia,
Versejando, e a respeito
Falou da Fonte do Vale
Fez brilharete a preceito!

E foi então que pensei, e nós?
As do Terreiro do Fundo?
Somos gente, somos mundo,
Somos gente muito boa.

Versejarei, sim senhora.
Ali, na rua Viriato, ocorreu meu nascimento
E dos que eu puder lembrar,
Falarei com sentimento!

Não havia hierarquias,
Éramos todos iguais
Vou começar pelo Cabeço
E pelos que me dizem mais!

Desço então à Oliveira,
Dou um salto até ao Adro
E depois de ir à Carreira,
Volto no fim, ao Tapado!

Vou fazer um coração
Envolvo-o num grande abraço
Lá dentro guardarei nomes
Que fecharei com um laço.

Começo pelos Alvoqueiras
Lembro a Lena costureira
E o Sr. Eduardo Florindo
Com a sua arte tecedeira

Sra. Marizé do Lapeiro
O sr. José Amaro, lá no canto do Terreiro…
Prima Laura do moleiro,
Sr. Plácido, brincalhão,
"- Fechai o portão que vem frio"

E a Sra Purificação
Sra. Urbana Pisoeiro
Sra. Emília Fiadeiro
E a Sra. Encarnação.

Sra. Laura da Calçada,
Sra. Deolinda do Norberto e a Ilda sua nora.
Sra. Constança, a parteira
Tantos meninos… Canseira.

Sra. Emília do Varona
Sra. Maria do Pelica
Sra. dos Anjos Pantalona…
Ah, falta a cega refilona.

Tantas saudades, enfim.
Do forno falo depois
Do cheirinho a pão cozido
Recolhido pela Santa e mais tarde pela Urbana.

E por não vos querer maçar,
Fecho por hoje o baú
Prometo um dia voltar
Que falta ainda falar
Das gentes até ao Vinhô!

PARTE II

Como tinha prometido,
Eis-me de novo, voltei!
Para recordar outros nomes,
O melhor que souber, direi!

Do Tapado, lembro então,
A família dos Calçada!
A casa da D. Maria,
(O cão turco, a cadelinha)
Família muito abastada!

Lembro o tio Alfredo Gato
E a Sra. Maria José do Bentinha!
Mas esta não é minha rua,
Vou subir, vou "piacima"!

Se me afasto, ainda esqueço
Minha avó muito querida,
Maria do Carmo Calado…
"- Leva, leva… Vai fiado"!

E lembram-se da tia Carlinda?
Mas que grande animação…
A contar cada história,
Falava -nos ao coração!

Lembrei-me agora, por Deus…
Da Sra. Laura do Jeremias,
Da Sra. Eduarda do Pistola
E da Sra. Aurora do Mateus!

E cheguei por fim, cá vai…
Ao meu sitio, ao meu lar,
Ao amor de minha mãe!
“- Meninos venham p'ra casa, está quase a chegar o pai”!

Das minhas tias … Não falo,
Que não me posso alongar,
Ainda não há muito tempo,
Deixei uma foto, no "ar".

Mas não podia esquecer
Meu tio Almiro querido
Minha querida tia Adélia,
Por todos bem conhecidos!

E para descermos à Presa
Passávamos pela Oliveira,
Galgávamos os degraus
Com o sentido na Ribeira!

E de regresso à tardinha
Cumpríamos a tradição
Falávamos ao Tio José
Já parecia uma canção!

Assomávamos na porta,
Cortada por um postiguinho,
Começava a lenga-lenga
Dava tudo rimadinho!

"- Oh Ti Zé… - Bi blé!"
"- Que horas são? - Bi blão!"
"- Diga lá, - Bi blá!"

Era uma tal "tarrizada",
Saíamos dali a vapor
Ficava para trás a Milita
E a Sra. do Carmo do Senhor!

"- Bom dia, Maria do Anjo!"
"- Viva, Sra. D. Hermininha!"
Olha o Sr. Mário à janela!
E a menina Ermelinda!

Sra. do Carmo do Vicente,
E o Senhor padre Cabral
Primo Mário Sapateiro,
Menina Lurdes Moenda… e tanta, tanta outra gente!

Não esqueço o padre Prata!
Nem o Sr. Mário Sacristão,
Homem bom, inexcedível
Cumprindo a sua missão!

Todos os nomes citados
São da minha criação,
Eramos como família
Havia muita união!

Quando brincávamos na rua
Não havia distrações
"- Sim, minha mãe, chamou?
"- Vai comprar pão ao Vinhô!"

Ficou muito por dizer
Mas está tudo seladinho
No meu baú de memórias
Fechado com um lacinho!

Convido agora outra amiga
Vai ver que não custa nada,
Comece, se assim quiser,
Pela Sra. Emilia da Águeda!

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