Os Lanifícios

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Autoria | Maria Adélia Lopes Prata

Criado em | Junho 2010

Estilo poético | Marcha

{REFRÃO}
Quando chega o mês de Junho
Loriga está em festa
Marcha-se p’lo São João
À hora que o sol não cresta
Acompanha-me ó menina
Hoje é dia dos amores
Com essa saia de pregas
Ao xadrez de muitas cores."

1
Giravam as altas rodas
Como quem corre feliz
Da força da água corrente
Saía a força motriz
Máquinas em movimento
Até o sol se esconder
Enquanto a lã transformavam
Ganhava o pão p’ra comer

2
Ao apitar a buzina
Para lembrar os horários
Corriam por estas ruas
P’rá fábrica os operários
Tu nunca viste Maria
O fio a passar nas puas
A tecer mantas quentinhas
De lã das ovelhas nuas

3
Das cardas à fiação
Urdida ou bobinada
Do tear ao armazém
As voltas que a trama dava
Fazendas bem esticadas
Na râmbola do Outeiro
Das Lages ou do Tapado
A secar ao soalheiro

4
Ao olhar os teus cabelos
Lembram-me o fino barbim
Tu és minha namorada
Gosto de te olhar assim
Certos amores lá nasceram
E deram em matrimónio
Nem foi preciso o milagre
Do famoso Santo António

5
Tantos cortes carreguei
P’ra trabalhar aos serões
Meter fios, tirar nós
P’ra ganhar mais uns tostões
Quanto tecido bonito
Mais fino ou mais grosseiro
Vendia-se em Portugal
E também no estrangeiro

6
Com o tempo tudo muda
Chega a modernidade
Deixou de girar a roda
Veio a electricidade
Avança a tecnologia
Basta tocar no botão
Tudo anda, tudo mexe
E eis um novo padrão

7
Dança, dança sem parar
E salta bem a fogueira
Ao ver-te assim animada
Recordo a lançadeira
Alguns dos que trabalharam
Operário ou patrão
Mereciam ter um lugar
No trono do São João

8
Debaixo daqueles tectos
Moram eternas lembranças
Saíram de lá avós
Que ao entrar eram crianças
Olhando as portas fechadas
No coração há saudade
Sem falar contam histórias
Da passada mocidade.

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