A queda do avião

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Autoria | Abílio Macedo Pina e António da Costa Madeira

Criado em | . 1944

Estilo poético | Quadras

I
Foi no dia 22 de fevereiro
Dia bem assinalado
Na montanha do Marte Amieiro
Junto à fraga Dalcabreiro
Um avião despedaçado

II
De Gibraltar se levantou
Logo depois d´almoçar
Mas foi na Serra da Estrela
Que haveriam de ficar

III
Seis militar trazia
Este avião de guerra
Era da marca Hudson
E pertencia à Inglaterra

IV
Da sua base saiu
P´rá Inglaterra voltar
A Espanha não consentiu
E a França ocupada não deixou passar

V
Veio por Portugal
Com rota para norte
Sobrevoou terras e montes
Mas teve pouca sorte

VI
Aos limites de Loriga chegou
Já a deitar fumo
Perdeu altitude
E alterou o rumo

VII
Ao cimo dos bicarões
Virou à esquerda
Atravessou a ribeira
E bateu nas fragas da vereda

VIII
Na manhã seguinte
Um loriguense o encontrou
Chamava-se Álvaro Aleixo
E na história ficou

IX
Viu os seus destroços
E os militares já sem vida
Vinha fazer carvão
E agora? É outra vida

X
Com alta voz gritou
P´ró outro lado da ribeira
Os homens do minério ouviram
E tomaram a dianteira

XI
Mandaram um emissário à vila
P´ra contar o sucedido
O sino tocou a rebate
E o povo subiu a serra comovido

XII
A autoridade também lá foi
Mais o senhor padre prior
Improvisaram padiolas p´rós mortos
E trouxeram-nos como num andor

XIII
De tão longes terras vieram
P´ra morrer na nossa serra
Quatro eram da África do Sul
E dois da Inglaterra

XIV
Cerimónias fúnebres fizeram
Para os poder sepultar
No cemitério de Loriga
Onde p´ra sempre vão ficar

XV
Como última morada e homenagem
Demos-lhes um talhão especial
A sua vinda p´ra nossa terra
Seria só uma passagem
Se não houvesse queda no final

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