Poema Bairro de S. Ginês

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Autoria | Maria Eugénia Gonçalves de Moura

Criado em | Janeiro 2017

Estilo poético | Versos rimados

I
Sopram ventos da garganta
Entram com grande altivez.
Num lugar que nos encanta
O bairro de S. Ginês.

II
Situado bem no alto
Virado para a Senhora da Guia
Tem a Senhora do Carmo
Sempre em sua companhia.

III
Na sua linda capela
Tem o escapulário na mão.
Com S. Ginês e S. Caetano
Dá -nos a sua protecção.

IV
A capela da Senhora do Carmo
Rodeada de habitações
Formam este lindo bairro
Cheio de recordações.

V
Neste bairro gracioso
Entre largos e ruelas
Há casinhas tão juntinhas
Como quem habita nelas.

VI
As famílias eram numerosas
Dava gosto ouvir gritar
As crianças que corriam
Para junto da capela brincar.

VII
No Verão a algazarra
Crescia ainda mais
Com os que passavam férias
Acompanhados pelos pais.

VIII
A família de S. Ginês
Vai-se perdendo no tempo
Um bairro cheio de vida
Está deserto neste momento.

IX
O trinque estava na porta
Abríamos para perguntar:
Está alguém em casa?
Podemos também entrar?

X
Hoje, mesmo sem trinque
Poucos são os moradores
Sr. Mário, Lurdes, António e Isabel
A Carla, o Marco e o filhote,
Lurdes Maurício, o Carlitos
José Ângelo, Armando e Tó zé.
Alzira e Laurinda Prata.
É o que resta neste cantinho do céu
Onde às vezes também moro eu.

XI
Descendo para o cantinho
Fica apenas o passado
A Laurinda do Monteiro
Com a sua numerosa prole.
A Lisete e o Emídio Garcia
A Maria José e a Assunção
O Horácio e a Irene
A Adélia e o Joaquim João.
As Urbanas, as Auroras
As do Carmo e o Zé Tomé.
A Laura, o Álvaro
O Emídio, a Lurdes, o Mozart
As dos Anjos do Firmino e Caçapo
A Floripes, a Irene, a Ermelinda
A Helena e o Manuel
A Teresa, a Inadina e o Joaquim
A Alzira e o Pedro Leal
Tantos Antónios, Josés, Joaquins
Laurindas, Marias e Manueis
Viveram neste cantinho
Com muito amor e carinho

XII
Tanta gente a trabalhar,
Tantos filhos a brincar.
Nomes sem fim,
Impossível todos enumerar.
As alcunhas também ficaram
E acompanham as populações.
São nomes que nos permitem
Identificar as gerações.
Pineia, calados, correio, pinheiro
Vivória, torneiro, perico, firmino,
Brasileiro, calçada, palha, macedo,
Pois bom, rega, chora, pastana,
Mainas, angelo, grilo, cucus
Maurícios, Melo, cigueira,
Urtigueira, machado, moleiro,
Felix, alhos, cêsar, ferrito
Menano, cândido, Zé bonito
Zé morto, viriatos, Zé da vide,
Valérios, ribeiros, neves, cabral
Deram vida a este bairrito.

XIII
Um dia aconteceu
Um episódio peculiar.
Vieram tirar os santos
Que estavam no altar

XIV
Tocam o sino a rebate
Todo o bairro se juntou.
S. Ginês e S. Caetano
Alguém daqui os levou.

XV
Vamos todos ao museu
Os santos têm de voltar.
Nossa Senhora do Carmo
Sozinha não vai ficar.

XVI
Voltaram então os santinhos
Provando mais uma vez.
Que a união faz a força
No bairro de S. Ginês.

XVII
Para servir os moradores
Nas compras do dia -a -dia.
A dos Anjos do Firmino
Tinha uma mercearia.

XVIII
O edifício dos correios
Esteve aqui a funcionar.
A Sra Dª Lucinda
Era uma funcionária exemplar

IXX
Na altura de epidemia
Fazia-se a desinfecção
Usaram esta capela
Para realizarem essa operação.

XX
A metalúrgica Vaz Leal
Em crescente ascensão
Deixa o alto do cabeço
Para o terreiro da lição.

XXI
Mais tarde veio o Zé alho
Com materiais de construção
Correndo a garotada
Qu'espalhava a areia no chão.

XXII
As portas vão-se fechando
Mas fica a recordação.
Do que foi este lindo bairro
Numa outra geração.

XXIII
Vim para aqui morar
Era uma jovem donzela
Na capelinha casei
Continuo a olhar para ela.

XXIV
Sinto tristeza pelo vazio
Que brota de cada lugar.
Alegram-me as recordações
Qu'o sol continua a iluminar.

XXV
Deixo estas quadras singelas
Com um carinho especial
Para todos os que viveram
Neste lugar divinal.

XXVI
Se me esqueci d'alguém
Não foi com intenção.
Guardo todos os vizinhos
Com amor no coração.

XXVII
A bênção dos ramos
É ainda uma tradição.
Os cristãos vêm à capela
E partem em procissão.

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