Lembrar Loriga... minha Terra!

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Autoria | Autor desconhecido

Criado em | . 1999

Estilo poético | Versos rimados

Loriga, lembro-me de ti, das tuas ruas, becos e "quelhas", onde passei os meus tempos de menino sem reparar!

Loriga, lembro-me de ti, das fogueiras de Natal no Adro e na Carreira, com os "tocos" que levavam horas a queimar e à noite as Janeiras às portas se iam cantar!

Loriga, lembro-me de ti, das tuas imponentes "Penhas" bem altas que pensávamos que no céu estavam a tocar.

Loriga, lembro-me de ti, nos dias de inverno junto à lareira, ouvindo aos mais velhos histórias contar!

Loriga, lembro-me de ti, da "Residência" onde havia teatro e cinema e onde se tentava entrar sem bilhete pagar!

Loriga, lembro-me de ti, e dos muitos serões televisivos na "Praça" e ao luar!

Loriga, lembro-me de ti, dos muitos pinhais que havia onde pinhas e carumas se ia apanhar!

Loriga, lembro-me de ti, das muitas árvores de frutos que em alguns lados havia e que à noite essa fruta se ia furtar!

Loriga, lembro-me de ti, do mês de Maria com as meninas a cantar e aos ombros da garotada cantavam os grilos a acompanhar!

Loriga, lembro-me de ti, das Festas da Vila com arcos, luzes e divertimentos de admirar, gente de todo lado vinha e à noite, foguetes de lágrimas iam para o ar!

Loriga, lembro-me de ti, das maceiras com o bom pão cozido que vinha dos fornos e que deixavam ao passar um apetitoso aroma no ar!

Loriga, lembro-me de ti, das Festa de Nossa Senhora da Guia onde a sineta não parava de tocar e na vila as mulheres entoavam seus cânticos, limpando as ruas e casas pois a festa estava a chegar!

Loriga, lembro-me de ti, das tuas ribeiras de águas cristalinas e onde nos seus "poços" no Verão todos se queriam banhar!

Loriga, lembro-me de ti, dos professores e das escolas improvisadas, onde aprendi a ler e a contar!

Loriga, lembro-me de ti, das muitas tabernas que havia, e onde principalmente aos Sábados os homens se encontravam para conversar!

Loriga, lembro-me de ti, dos muitos jovens que estavam fora a estudar e vinham a Loriga as "férias grandes" gozar!

Loriga, lembro-me de ti, das raparigas bonitas e de faces coradas que sorriam para namorar!

Loriga, lembro-me de ti, e de uma garotada infernal em São Ginês, Terreiro do Fundo e Carvalha, que em jogos de bola, "pau de bico; eixo; rabisco e mosca" os mais velhinhos se faziam arreliar.

Loriga, lembro-me de ti, quando muitas fábricas havia e muita gente nelas trabalhavam e bem longe se ouvia suas máquinas em grande laboração.

Loriga, lembro-me de ti, e quando qualquer palmo de terra era cultivado e assim te transformavam em jardim.

Lembro-me de ti, Loriga!

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