Saudades de Loriga

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Autoria | Pinal

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Estilo poético | Quadras

Do alto da serra se lobriga
A vila mais bela que já vi
Ah! Solo amado, é Loriga
A linda terra em que nasci;

E criança abandonei chorando
Para outros mundos onde senti,
O corpo apenas habitando,
E a minha alma toda em ti.

E pintam teus vastos horizontes
Onde planam águias e peneirinhas
A espreitar ravinas e montes,
Poiso de gados e avezinhas;

Num entardecer de tarde mansa
Coada em tela magistral,
Que só de olhá-la se alcança
O chão de paraíso terreal

Nesse presépio alcandorado
Em verdes socalcos erguido,
Por águas chilreantes beijado
E por altas montanhas cingido,

Em que o ar, a luz, em sinfonia,
Cantam o teu nobre esplendor,
Num hino que além da melodia
Tange os acordes do amor.

Amo-te Loriga, com fervor
Não por no teu seio só ter nascido
Ou em menino aí ter vivido
Mas como quem ora ao Senhor…

Pois tu és o único rincão,
De sedas e saudade tecido
Onde o meu pensamento vertido
Encontra a paz no coração

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