Carlos Leitão Bastos

Carlos Leitão Bastos nasceu em Loriga no dia 1 de Fevereiro de 1920, filho de Carlos de Jesus Bastos e de Maria do Patrocínio Reis Leitão.

Ainda muito novo foi para Lisboa, onde começou a estudar, vindo a formar-se mais tarde em medicina. Iniciou a sua actividade profissional no Instituto Português de Oncologia como assistente de Anatomia Patológica, passando ainda pelo Hospital de Santa Maria, onde esteve durante algum tempo. Habilitado pelo Instituto de Medicina Tropical exerceu, também, por algum tempo, clínica em Luanda.

Desenvolveu trabalhos de investigação, um dos quais sobre Esfregaços em Parafina, tendo os resultados sido publicados em separata da revista Clínica Contemporânea, tomo III nº 30 - Dezembro de 1949.

Radicado em Campolide, Lisboa desde 1944, ali veio a instalar o seu consultório e nele exercer a sua nobre profissão. Médico ilustre de elevado profissionalismo e competência técnica, ao longo de mais de cinquenta décadas teve o seu consultório instalado no pitoresco bairro de Campolide onde era credor do maior afecto e simpatia por toda a gente. Devotou-se à medicina com paixão e total respeito por valor éticos. A sua solidariedade com os economicamente débeis, granjeou ao longo da sua vida enorme popularidade, nomeadamente no "seu" bairro, cujas instituições ainda hoje realçam este traço marcante da sua personalidade.

Sempre com o estetoscópio, que colocava aos ombros, assim que chegava ao seu consultório, caracterizava-o a sua maneira simples, sincera e franca, ao mesmo tempo de grande humanismo e nobreza de carácter e espírito de solidariedade. Era conhecido por "médico do povo" onde, a sua determinação e firmeza, aliadas a uma certa humanidade, o levou muitas vezes a consultas gratuitas a domicílios no Casal Ventoso, bairro problemático de Lisboa e bem perto de Campolide. Nos tempos negros da ditadura do salazarismo ficou também conhecido como o "pai dos pobres", devido às suas atitudes solidárias, que segundo a PIDE, o procuravam associar ao ideário comunista.

Loriga era uma das suas paixões, adorava a sua terra e nutria um verdadeiro carinho e afecto pela suas gentes. Desde muito novo participou activamente em iniciativas, que com outros jovens loriguenses, também estudantes em Lisboa, os levaram à fundação do Centro de Assistência, numa altura em que a mortalidade infantil atingia a elevada taxa de 47%. Colaborou numa exposição intitulada "Loriga vista pelas crianças", com a realização de palestras sobre saúde pública, veterinária, cultura geral e agronomia, que tiveram lugar no Salão da Residência Paroquial e que foi de muita utilidade na época. Apoiou com entusiasmo, inúmeras diligências junto das entidades competentes, para elevar o nível de escolaridade em Loriga e que culminaria na construção da Escola.

Foi o primeiro Director do jornal A Neve, fundado por ele e por um grupo de amigos e bairristas loriguenses, no ano de 1949, em Lisboa. O jornal teve o seu primeiro número em Março desse ano, onde se podia ler no prefácio da sua primeira página: "Por tudo e por todos - A bem de Loriga e da região". Foi o primeiro e único director enquanto na primeira fase da publicação de 1949 até 1951, ano em que foi interrompida a sua publicação para, anos mais tarde, voltar a surgir mas, desta vez, como Boletim Paroquial, que ainda hoje existe.

Verdadeiro bairrista e amigo de Loriga, apesar de estar fora estava sempre atento a tudo que se relacionasse à sua terra, nunca deixando, sempre que se tornasse oportuno, de apresentar as suas ideias ou pontos de vista. Deu igualmente todo o apoio à constituição da ANALOR e, sempre que podia, colaborava no jornal Garganta de Loriga

Foi ao Dr. Bastos, que se ouviu pela primeira vez falar em turismo rural quando, em determinada época, ele chegou a dizer existir potencial para, nesta área, poder haver um meio de desenvolvimento para Loriga. Idealizou projectos de desenvolvimento para um futuro turismo rural na sua terra, tendo mesmo dado os primeiros passos, não se chegando a concretizar, infelizmente, por falta de apoios.

Grande entusiasta pelo Campismo e pelo Atletismo, era um fervoroso adepto e associado do Sport Lisboa e Benfica, tendo sempre o hábito de dizer, para que todos soubessem, "ser um benfiquista ferrenho". Chegou a ser galardoado com a "Águia de Ouro" pelo Sport Lisboa e Benfica.

Pessoa de ideias firmes, costumava dizer que nada neste mundo o fazia abandonar a medicina, porque "parar depois da reforma é morrer" e, por isso, aos 83 anos ainda exercia a sua nobre profissão, com toda aquela sua energia com que sempre se conheceu. Faleceu em Lisboa no dia 12 de Fevereiro de 2006, o funeral realizou-se na sua terra natal, onde foi sepultado no cemitério local, como sempre foi o seu desejo.

Loriga viu partir um grande bairrista e amigo da sua terra, ao qual muito ficou a dever, vendo-se também partir aquele, que na sua nobre missão, aliviou muitas vezes o sofrimento de todos aqueles que o procuravam.

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