Carlos Fernandes Ortigueira

Carlos Fernandes Ortigueira nasceu em Loriga a 26 de Fevereiro de 1917. Era filho de Alberto Fernandes Ortigueira e de Maria Emília Pinto Ascenção.

Alfaiate de profissão, cortava o pano e alinhava os fatos tal como os seus dedos tocavam as cordas da sua guitarra. Era um grande profissional, talvez mesmo um dos melhores alfaiates de Loriga. Era na realidade um verdadeiro artista, tendo sempre a preocupação de actualização e modernidade.

Começou a trabalhar numa alfaiataria situado no Santo Cristo, mais tarde mudou-se para o Largo Dr. Amorim da Fonseca, passando ainda pela Carreira para finalmente fixar a sua alfaiataria "Académica" na rua principal da Vila, por cima do estabelecimento do Sr. José Luís Santos.

Durante a sua vivência em Loriga foi a alma do Fado de Coimbra cantado na sua terra. Pela sua alfaiataria "Académica" passaram as diversas gerações de estudantes, e nela havia sempre uma guitarra e uma viola para acompanhar os que se dispusessem a entoar a velha canção coimbrã.
Tinha ainda tempo e sempre disposição, para se juntar a outros loriguenses, que por vezes se reuniam nos balcões das ruas em verdadeiras serenatas, onde as cordas da sua guitarra faziam espalhar aquela melancólica música que deleitava os ouvidos das pessoas que passavam.

O falecimento da sua esposa Ermelinda Pereira Ramos (Ortigueira), em 1959, foi um duro golpe e uma grande perda para os seus filhos, Fernando, José Alberto, Natércia e Maria Amélia.

Procurando uma vida melhor, que a sua terra parecia não lhe poder dar, deixou Loriga na década de 1960, radicando-se na Póvoa de Santa Iria, mais tarde no Prior Velho e depois em Sacavém, onde instalou a sua alfaiataria. O fado de Coimbra parecia fazer parte de si, por isso mesmo, tinha sempre presente a sua velha guitarra, que mesmo longe de Loriga, o faziam continuar a dar alma ao velho fado dos estudantes que ele tanto amava.

O Carlos "Governo", como popularmente era conhecido, deixou raízes nos seus filhos, Fernando e Zé Alberto, dignos continuadores dessa herança de tocadores de guitarras e violas, que ainda hoje delíciam todos aqueles que os escutam.

Faleceu em Sacavém, após doença prolongada em 31 de Dezembro de 1996, e o funeral realizou-se para o cemitério local onde ficou sepultado.



Sorry, we couldn't find any images attached to this page.
Unless otherwise stated, the content of this page is licensed under Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 License