António Luís Amaro Tuna

António Luís Amaro Tuna nasceu em Loriga em 23 de Agosto de 1918, sendo filho de José Luís Amaro Tuna e de Emília de Brito Miguel.

Era ainda muito novo quando ficou órfão de seu pai, conhecido por José Farias (Barbeiro), que faleceu vitima da epidemia do tifo epidémico que ocorreu em Loriga no ano de 1927. Por esse facto, e dada a necessidade de ter que trabalhar para o sustento da casa, empregou-se numa das fábricas de lanifícios, onde viria a ser operário têxtil durante anos, profissão que deixou na altura em que encerrou definitivamente a Fábrica da Redondinha.

Nas horas livres, dedicava-se ao corte de cabelos e barba, seguindo os passos do pai. Depois do encerramento da fábrica onde trabalhava, dedicou-se de alma e coração à sua barbearia, na arte que ele tanto adorava e que era a sua grande paixão. Nunca voltava para casa enquanto tivesse fregueses para atender, muitas vezes só o fazendo a altas horas da noite. Não tinha horas nem para as refeições, privando, muitas vezes, a família da sua companhia nessas horas. Na altura da "Febre do Volfrâmio" deu também uma saltada à serra, à procura desse valioso minério, tendo sempre histórias curiosas para contar.

Tinha uma maneira própria de ser, desenvolvendo um bom relacionamento com todos, fazendo dele um homem de bem, não se lhe conhecendo, por isso, qualquer inimigo. A sua barbearia era como que um ponto de cavaqueira onde os fregueses liam o jornal, conversavam e falavam das novidades da terra, e onde o "Ti António Farias" tinha sempre histórias antigas para contar de Loriga, e das suas gentes.

Muito crente em Deus, era raro o dia que não fosse rezar à porta do cemitério e à Nossa Senhora da Guia, ou mesmo até na Igreja, onde por vezes se "refugiava" nas suas orações. Fazia longas as caminhadas pelos vários recantos da serrania, que parecia conhecer como as suas próprias mãos. Não sabendo ler nem escrever, pediu a alguém para lhe escrever algumas palavras, tempos depois, numa das fragas junto à "Fonte dos Carreiros" feitas com ajuda de um pico e um pincel, onde foram aparecendo, como que misteriosamente, as legendas "Pensai e Meditai em Deus -Loriga 1990 - Nossa Senhora, livrai-nos de todo o mal".

Cantava o Fado de Coimbra, do qual era um grande entusiasta. Ao cantar, a sua voz emocionada deliciava as gentes de Loriga, e foram muitas as serenatas que ao longo da sua vida fez na companhia de outros loriguenses. Um dia foi homenageado por um grupo de loriguenses, como prova de gratidão pela maneira simples e singela como se dedicava a cantar fado de Coimbra, com os amigos, homenagem que muito o sensibilizou e da qual falava vezes sem conto.

Foi submetido a várias cirurgias, mas a sua grande força e fé, tornavam-no forte para poder suportar tudo com resignação. Nos próprios hospitais, apesar da gravidade da sua enfermidade, era ele que prontamente dava estimulo aos outros doentes.

Era casado com Maria dos Anjos Alves Pereira, também de Loriga e pai de Maria de Fátima Alves Amaro Gonçalves. Faleceu em 18 de Fevereiro de 2003, ficando Loriga mais pobre ao ver partir um dos seus filhos mais queridos. Foram muitos o loriguenses que o acompanharam à sua última morada, sendo o funeral realizado para o cemitério local onde ficou sepultado.



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