Abílio Luís Amaro

seguinte » Abílio Luís Ramalho

Abílio Luís Amaro nasceu em Loriga em 1891 e faleceu em 3 de Julho de 1964. Era filho de Ana Moura Abrantes, de alcunha Tripa. Esta alcunha da família era uma referência à cidade do Porto e aos "tripeiros", região de onde os ancestrais teriam sido originários.

AvôAbílio.jpg

O "Ti Abílio" era o caseiro mais disputado de Loriga, no início do século, conforme atestam quantidade de tarefas para que era solicitado. Tinha a responsabilidade de amanhar as terras da família Rocha Cabral e da D. Maria, que eram, também, proprietários da fábrica de Lanifícios Moura Cabral, hoje extinta. As malhadas do Tapado, as courelas da zona da Fândega e grande parte do Avenal, incluindo as pertencentes à senhora Maria dos Anjos do Crisóstomo, que iam até aos Pirliteiros, eram amanhadas por ele e pelos filhos. O segredo do seu sucesso como caseiro, estava na forma como adubava a terra, tirando desta mais rendimento do que grande parte dos outros rendeiros. Para os menos sabedores sobre estas coisas da agricultura, as rendas eram, na altura, pagas em produtos agrícolas colhidos nas terras arrendadas. Ora, quanto maior era a produção, maior era a parte que os proprietários recebiam, sendo também maior o quinhão do rendeiro.

O Abílio adubava as terras com estrume das vacas, sendo umas pertencentes aos donos das terras, a quem diariamente os filhos entregavam o leite e outras que eram suas, aumentando, assim, a quantidade do estrume e, por consequência a fertilidade das terras. Quando os filhos começaram a ter alguma autonomia para o trabalho, entregava-lhes as tarefas do amanho dessas terras e ia trabalhar à jorna, em outros lugares e para outros patrões, aumentando assim o rendimento disponível da sua família, que ia aumentando cada vez mais.

Casado com Maria Gonçalves, teve dez filhos: o Augusto, a Miquelina, a Isaura o Carlos, a Maria Emília, a Maria do Carmo, o António (que faleceu novo e cujo nome foi dado a outro filho nascido posteriormente), a Maria Irene e o Fernando. Desta numerosa prole, apenas restam a Maria Irene e o António.

Homem do campo, rude, mas muito divertido, era o responsável por muitos dos momentos mais animados da vila de Loriga nessa época. Era ele que organizava os "Bailes e Contradanças" no Terreiro do Fundo, no Cabeço ou na Fonte do Vale. Eram tempos em que uma simples gaita de beiços ou realejo, como também lhe chamavam, servia para armar um baile e o "Ti Abílio" era exímio tocador. Os seus filhos foram todos músicos da Banda de Loriga, exigência da avó Ana que estendeu a exigência ao Augusto, filho da sua filha Glória.

Árvore GENTES DE LORIGA



Páginas relacionadas

Páginas com etiquetas similares:

Unless otherwise stated, the content of this page is licensed under Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 License