Indústria de lanifícios

As primeiras referências sobre lanifícios em Portugal datam do século XVII, mais precisamente ao ano 1675. Em alguns registos sobre Loriga do século XVIII, vamos encontrar dados concretos da existência, já nessa altura, de um próspero negócio de lã, a matéria prima da indústria dos lanifícios.

Nessa época a lã era manufacturada sem nenhum auxílio mecânico num processo de fabricação doméstica, com teares manuais. Nas casas dos próprios fabricantes, mulheres conhecidas por "escarameadeiras", farripavam a lã e depois lavavam-na retirando impurezas.

A partir de meados do século XIX, começaram a construir-se as primeiras fábricas que, durante mais de um século, foram locais de grande laboração e movimentação industrial. Apesar das deficientes vias de comunicação, o que implicava o transporte das matérias-primas no dorso dos animais de carga, em 1880 Loriga era a localidade mais industrializada na aba ocidental da Serra da Estrela, com várias unidades de produção têxtil, empregando mais de 200 operários.

As primeiras fábricas em Loriga, foram construídas por iniciativa de Manuel Mendes Freire e José Marques Guimarães, que na época, eram já conceituados negociantes de lã. Em 1872, o jornal "O Conimbricense" publicado em Coimbra, escreveu sobre as fábricas de lanifícios em Loriga. O artigo referia que havia nesta vila quatro fábricas, três a funcionar e outra a iniciar, que se deviam unicamente aos esforços particulares.

À medida que iam procedendo à mecanização das fábricas em Loriga, os industriais Loriguenses recorriam ao mercado da Covilhã no sentido de contratarem operários especializados. Na última década do século XIX, chegaram a Loriga várias pessoas que ficaram para sempre ligados à indústria de lanifícios desta localidade. Entre eles registam-se um belga de nome Pierre, que se manteve em Loriga até 1898; Joaquim F. Nogueira, que constituiu família na vila e veio a ser o pai do Cónego Manuel Fernandes Nogueira; um senhor de nome Teles, que viria a falecer em Loriga já muito idoso; Adriano de Sousa Torrão; António Ramos e muitos outros.

A partir de 1930, e após a construção da estrada que passou a ligar São Romão a Loriga, a indústria de lanifícios foi-se modernizando, de maneira a poder competir com a concorrência a nível nacional. Por esse motivo e durante anos, Loriga era considerada a vila mais industrializada do Concelho de Seia e também do Distrito da Guarda.



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