Jornais de Loriga

Alguns artigos incluídos nesta Enciclopédia foram primeiramente publicados em sites e blogs de Loriguenses ou amigos de Loriga. Este artigo foi baseado no texto apresentado no site1 da Confraria da Broa e do Bolo Negro de Loriga.

O Estrella d’Alva é, segundo se sabe, o primeiro jornal ligado a Loriga a publicar-se, embora tenha tido a redacção e a administração na calçada Marquês de Abrantes, em Lisboa, e fosse impresso na Casa Catholica uma tipografia existente na Calçada de São Francisco, junto ao Chiado, empresa essa que constituía um os poucos anunciantes do periódico. O outro era a Alfaiataria de José Mendes Lopes, de Loriga, que se encarregava de “toda e qualquer obra pertencente à sua arte” e que tinha preços muito “resumidos”.

O Estrella d’Alva tinha periocidade quinzenal e considerava-se um jornal “político, litterario e noticioso. Conhecem-se pelo menos dois dos seus promotores, o Dr. António Mendes Lages, redactor principal, e José Fernandes Carreira, editor. Tal como os seus congéneres de então, incluía um folhetim. Um dos exemplares continha um texto em episódios que tinha como título “ Grãos de Aveia”. Era contada uma história passada no norte de África na qual as personagens eram Hadgi Achmet, um homem sábio e um ladrão com falta de uma orelha. Outro folhetim, tinha como cenário “Uma excursão à Serra da Estrella” e o texto iniciava-se com a descrição de um alvorecer: “Eram 4 da manhã de 11 de Setembro, Loriga despertava do seu somno da noite. Um grupo de rapazes finos aprestava a sua bagagem para fazer uma excursão à serra."

O correspondente do jornal no Brasil, enviado em 22 de Julho de 1902, da cidade brasileira de Manaus, iniciava assim o seu relato: “Acabam de soar no relógio 11 e meia da noite, hora a que vou principiar a escrever para a Estrella d’Alva para aproveitar o vapor inglez Amazonense que parte às 9 horas da manhã.” O texto veio publicado cerca de um mês depois, no número 38 do jornal, e era assinado por alguém com o pseudónimo de “Portella de S.Bento”. E como era usual, continha informações que interessavam à colónia loriguense do Brasil e aos parentes do lado de cá. Na maior parte das vezes, estes despachos dos correspondentes, eram o relato das partidas e chegadas, tanto de homens como de navios: “seguiu para essa vila António da Cruz Arrifana…”ou “encontra-se entre nós, vindo do Rio Branco, o nosso conterrâneo António Duarte Pinto que há 23 anos veio veio d’ahi” e ficamos a saber que seguiu “no dia 20 do corrente o nosso conterrâneo António João da Costa para o rio Jucuá”.

Mas não só, havia notícias de interesse mais abrangente como aquela em que, sob o pseudónimo de Penedo do Alvoco, o correspondente narrou aos leitores do Estrella d’Alva “o bárbaro crime“ praticado por José Lopes de Sousa, o Barba Azul, que matou “três esposas assassinadas por meio de veneno”. O meliante foi julgado por um tribunal de júri, apanhou 30 anos, mas o advogado de defesa ia apelar. O resultado final deste odioso crime só se saberia numa futura correspondência de Manaus.

O Estrella d’Alva não foi o único título da imprensa de Loriga a ser publicado. Segundo um inventário2, em 1906 saía em Belém do Pará o “Echos de Loriga” que teve entre os seus fundadores Jeremias Pina, José Lopes de Brito e Serafim da Mota. A partir de 1908 começaram a editar-se o “Voz de Loriga” e o “Povo de Loriga”. Em 1977 apareceu o Boletim “O Loriguense”, também em Belém do Pará e, em 1983, “A Voz da Banda”, que terá tido vida efémera.

Em Lisboa, no ano 1949, saiu pela primeira o jornal “A Neve” dirigido pelo Dr. Carlos Bastos Leitão. Durou três anos e em 1958 “A Neve” já se tinha transformado num jornal paroquial da responsabilidade da Igreja de Loriga.

Actualmente, publica-se a “Garganta de Loriga” que foi fundado em 1992, em Sacavém, pela Associação dos Naturais e Amigos de Loriga.



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