Highland Chieftain

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Autoria | Carlos Pereira

Criado em | 30 Mar 2014 00:00
Publicado em | https://goo.gl/Oin27i

Esta crónica aborda episódios da vida de:

António Fernandes de Ascenção

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Numa outra crónica conta-se a história do Highland Patriot, navio construído pelo estaleiro Harland & Wolff na Irlanda do Norte. Esse navio fazia parte de uma série de transatlânticos, à qual também pertencia este seu irmão gémeo, o Highland Chieftain. Este navio serviu a rota sul-americana desde Fevereiro de 1929 até ao seu fim, em 1960, realizando centenas de viagens para o Atlântico Sul, inclusive no período da Segunda Guerra entre 1939 e 1945, levando passageiros e regressando com milhares de toneladas de carne e outros alimentos para a Grã-Bretanha.

O Highland Chieftain tinha 165 metros de comprimento e navegava a uma velocidade de cruzeiro de 15 nós (28 km/hora), com capacidade para 701 passageiros, 500 dos quais viajavam em terceira classe. Possuía 500 mil metros cúbicos.de espaço de carga, distribuídos por quatro porões, três dos quais calafetados para o transporte de produtos congelados.

Em Outubro de 1959, o Highland Chieftain foi vendido a uma empresa armadora com sede em Gibraltar, a Calpe Shipping Co. Ltd., na época proprietária de uma frota de navios de pesca de baleia operando nas águas em torno do continente antárctico. O ex-transatlântico foi então rebaptizado com o nome de Calpean Star e transformado num navio-depósito e de acomodação a serviço das tripulações das baleeiras que operavam em permanência nas zonas de pesca do extremo sul do Atlântico Sul. Essa utilização, porém, foi bem curta, pois só durou cinco meses.

Em Março de 1960, o Calpean Star saiu da zona de pesca antárctica com os porões frigoríficos repletos de carne de baleia destinada aos mercados europeus. Fez escala em Montevidéu devido a uma avaria e, em 1 de Junho, a embarcação zarpou com destino a Londres. Repentinamente, apenas a três milhas da costa, nas águas do Rio Prata em frente da costa uruguaia, ocorreu uma explosão na casa de máquinas que provocou um rombo no casco e penetração de água.

O Calpean Star imobilizou-se e afundou ligeiramente de popa, com a estrutura permanecendo cerca de dois terços fora de água. Devido a atrasos burocráticos, passaram-se meses e nenhum êxito nas tentativas de desencalhe. A enorme quantidade de carne de baleia apodrecida nos porões desprendia tão forte odor fétido, que empestava as proximidades da área por onde passava o tráfego marítimo de e para Montevidéu. Enquanto isso, a forte correnteza do rio fazia com que o casco do navio penetrasse cada vez mais nas áreas lamacentas do fundo e assim, mês após mês, o navio foi desaparecendo numa morte lenta e agonizante.

Nas fotos, apresenta-se o Highland Chieftain/Calpean Star durante os seus tempos áureos, na época do naufrágio em 1960 e como ainda permanece hoje em dia.

Em 28 de Abril de 1939, tendo atravessado o atlântico no Highland Chieftain, desembarcou em Buenos Aires um Loriguense de 29 anos. O manifesto de passageiros alista o seu nome como António Fernandes de Ascenção.

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