Highland Patriot

seguinte » Highland Chieftain

Autoria | Carlos Pereira

Criado em | 26 Mar 2015 00:00
Publicado em | https://goo.gl/JQ6buw

Esta crónica aborda episódios da vida de:

Eduardo Luís de Moura, Gabriel Luís de Moura

______

69584_731330080244940_177838795_n.jpg

O navio Highland Patriot foi construído num estaleiro de Belfast, na Irlanda do Norte e fez a sua viagem inaugural de Londres para Buenos Aires, na Argentina, em Maio de 1932. Durante oito anos, este belo transatlântico, com 166 metros de comprimento e um peso de 14000 toneladas, fez o percurso regular entre a Grã-Bretanha e a América do Sul, partindo de Londres e com escalas em Boulogne sur Mer, Vigo, Lisboa, Las Palmas, Rio de Janeiro, Santos, Montevidéu e finalmente aportando em Buenos Aires. Possuía uma lotação máxima de 785 tripulantes e passageiros, 500 dos quais viajavam em terceira classe.

O Highland Patriot permaneceu na Rota de Ouro e Prata mesmo depois de começar a Segunda Guerra Mundial. Contando com a excelente velocidade que os seus dois motores a diesel lhe conferiam, o navio efectuou um total de 28 viagens até à Argentina, transportando centenas de passageiros e muitos milhares de toneladas de carga.

No dia 1 de outubro de 1940, a sua rota cruzou-se com a do submarino alemão U-38 que iniciava então a sua sétima patrulha de guerra. Antes de avistar o transatlântico inglês, que navegava solitário procedente de Buenos Aires e com destino a Clyde, na Escócia, o U-38 já havia afundado outros dois navios. Ao raiar do dia, o U-38 cruzou-se com o Highland Patriot e disparou dois torpedos, um dos quais explodiu no costado do transatlântico. Este, carregado com 6 mil toneladas de carga, foi lentamente para o fundo do Atlântico Norte, nas coordenadas de 52º 13' de latitude Norte e 19º 04' de longitude Oeste. Três dos 143 viajantes a bordo pereceram no naufrágio e o navio repousa hoje a 4000 metros de profundidade.

Numa das suas viagens, partindo de Londres no dia 29 de Julho de 1938, o Highland Patriot aportou em Lisboa e vários portugueses subiram a bordo para uma viagem de esperança, a caminho do El Dorado sul americano. Vários deles nunca mais regressaram à terra natal. Entre esses emigrantes contavam-se várias crianças e adolescentes, alguns deles viajando sem os pais, visto que esses já haviam viajado antes, fixando-se no Brasil e na Argentina. Agora era o tempo de se reunir a família.

Loriga estava representada nesta viagem pelo menos com duas crianças de 11 e 7 anos, irmãos, de nome Eduardo Luís de Moura e Gabriel Luís de Moura. Estes meninos eram primos direitos da minha mãe e dos meus tios mas nenhum deles se lembrará deles, visto que a tia Natália, a minha tia materna mais velha, tinha apenas quatro anos quando o Highland Patriot zarpou de Lisboa naquele Verão. O manifesto dos passageiros não inclui o nome do pai ou da mãe e, assim presumo que viajaram por sua própria conta. Quão diferentes eram os tempos! A lista dos que desembarcaram em Buenos Aires no dia 20 de Agosto de 1938, a que tive acesso, alista os passageiros por nacionalidade e cidade de origem. Os dois pequenos Loriguenses são mencionados como provenientes da Guarda, por ser a capital de distrito. Desta cidade são também alistados os seguintes nomes:

- Luz Afonso Gonçalves (8 anos)
- Rosa Afonso Gonçalves (12 anos)
- Bernardo Ferreira Borges (26 anos)
- José da Silva Pais (17 anos)

Serão Loriguenses? Não sei. Fica a história do Highland Patriot que tantos emigrantes levou, incluindo estes dois filhos de Maria dos Anjos Jorge de Moura e de Augusto João Luís, um dos irmãos mais velhos da minha Avó Emília. Quem sabe se os nossos primos na Argentina, tal como a prima Beatriz, nos possam dizer mais sobre a vida destes meninos que nunca mais regressaram a Loriga.

______

Comentários a esta crónica

Adicionar um Novo Comentário
Unless otherwise stated, the content of this page is licensed under Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 License