O cinema em Loriga

António Pinto Ascensão foi o pioneiro na exibição de filmes em Loriga. O cinema contribuiu para dar novos horizontes aos jovens, numa altura em que a juventude em Loriga atingia números significativos.

Em 1953, António Pinto Ascensão, então a trabalhar numa das fábricas de lanifícios, teve a ideia de iniciar a exibição de filmes em Loriga, tendo convidado como sócio a Manuel Matias, também este trabalhador fabril. Adquiriram uma máquina de projecção Philips (máquina portátil com lâmpada de projecção de mil volts, colocada num tripé) e ainda uma instalação de som. António Pinto Ascensão chegou mesmo a efectuar um estágio, para aprender a trabalhar com aquele equipamento. Nesse ano de 1953 passou a existir a firma Ascensão, Matias & C.ª e a primeira película exibida em Loriga foi Há Festa na Aldeia, um filme francês de 1949.

Algum tempo depois, Manuel Matias desistiu da sociedade e foi substituído por António Mendes Ascensão, (mais conhecido por António "Alentejano"). Foi então criada a empresa Cine-Ascensão, que se manteve em actividade até 1963.

Chegava a haver três sessões por semana, normalmente à sexta-feira e domingo à noite e, neste dia, havia ainda matiné. Aos sábados as sessões eram realizadas em algumas povoações da região, nomeadamente, Santa Comba Dão, Unhais da Serra, São Romão ou Lagares da Beira. Nestas localidades existiam casas próprias para espectáculos e por isso foram estabelecidos contractos para exibições regulares de filmes. Em Seia, a empresa Cine-Ascensão tinha uma sala alugada, onde regularmente exibiam filmes. A pedido das populações, a empresa efectuava sessões de cinema em salas ou mesmo ao ar livre. Foram realizadas algumas deslocações pela Beira Baixa e Alentejo.

Inicialmente, as deslocações eram feitas em carro alugado ao Zé Vicente. Mais tarde, em 1955 a empresa "Cine-Ascensão" comprou uma carrinha Austin A-40, que passou a ser conduzida pelo senhor António Pinto Ascensão, que entretanto, tinha tirado a carta de condução. As bobines dos filmes eram alugadas a uma distribuidora, que as fazia chegar a Loriga na camioneta da carreira, juntamente com os cartazes promocionais dos filmes a exibir. Os cartazes eram colocados nas janelas do café do Zé Maria ou nas montras do café do Carlos Pina, situados na Praça, o local central de Loriga naquela época.

As sessões do cinema em Loriga, decorriam no Salão Paroquial, mais conhecido por Residência, que a empresa Cine-Ascensão alugava e pelo qual pagava 20% da receita líquida ao senhor Padre Prata. As sessões realizadas em Loriga tinham uma assistência superior a uma centena de pessoas, esgotando, na maioria das vezes, a capacidade do Salão.

Entretanto, a empresa mandou fazer uma bancada de cadeiras articuladas, que depois foram descontando nas percentagens a pagar ao senhor Padre Prata. Com este mobiliário, o Salão Paroquial passou a contar com duas categorias de lugares: as cadeiras e a geral, estas de bancos compridos.

Em 1963 a empresa Cine-Ascensão foi extinta, tendo sido vendido todo o material e respectiva exploração a um senhor de Santa Comba Dão, por 40 contos. Como o comprador não tinha o dinheiro disponível deu como penhora uma propriedade situada em Santa Comba Dão. Tempos depois, como o valor contratual não foi pago, a referida propriedade foi leiloada. Apesar de haver alguns interessados, as ofertas não chegavam ao valor pretendido, o que obrigou os sócios da empresa Cine-Ascensão a arrematar a dita propriedade por esse valor. Entretanto, conversaram com a pessoa que havia manifestado mais interesse durante o leilão e conseguiram negociar a propriedade pelo valor de 40 contos salvaguardando dessa maneira o negócio.

A exibição dos filmes em Loriga, especialmente aos fins-de-semana passou a ser assegurada por um senhor de Unhais da Serra, de nome Alfredo, que já antes colaborava com a Cine-Ascenção quando a empresa se deslocava à sua terra. Mais tarde, passou a ser efectuada por um outro senhor também de Unhais da Serra, que era conhecido por Fernando de Unhais. Depois do senhor Fernando deixar de ir a Loriga, terminaram por completo as sessões de cinema nesta vila. Como curiosidade, os ajudantes de ambos estes senhores de Unhais da Serra, passaram a namorar com duas moças de Loriga com quem vieram a casar.

Com o tempo, o designado cinema ambulante caiu em desuso, não só pelo aparecimento de novas tecnologias, mas também porque, por causa desses homens que percorriam o país com a sua "lanterna mágica", começaram a surgir salas fixas para exibição. Ficam, no entanto, para a história os tempos do cinema em Loriga, guardado para sempre na memórias de muitos.



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