Caixão da Moura-Loriga

O Caixão da Moura, nome pelo qual é conhecido, localiza-se na vila de Loriga na zona do “Chão do Soito”, é um tipo de sepultura antropomórfica aberta na rocha, com a orientação NO-SE e, integra-se num conjunto mais vasto de sepulturas situadas próximo das vias e vilas romanas. Habitualmente eram cobertas com uma tampa, uma laje ou talvez apenas por terra e pedras e, destinavam-se a um ritual de inumação de um corpo/defunto. Na maior parte dos casos, não se faziam acompanhar de qualquer outro tipo de espólio.

Existe muita gente que situa, incorretamente, estas sepulturas no período romano ou mesmo na idade do ferro. Nestes períodos, a prática de enterramento era por incineração – uma prática pagã – que consistia no queimar do corpo/defunto, juntar as cinzas e, depois, coloca-las num pote que posteriormente colocavam na terra. A prática de inumação tem a ver com conceitos trazidos pelo cristianismo…

Pelo conjunto das sepulturas já catalogadas, podemos chegar à conclusão que uma grande parte delas tem a orientação canónica O-L, Oeste (Ocidente, Poente) – Leste (Este, Oriente, Nascente, Levante) com os pés para Este e a cabeceira para Oeste. Esta orientação dos pés para nascente, está indubitavelmente associada a um caráter religioso assente na tradição da crença da ressurreição, para que, logo que o corpo se erguesse, ficava imediatamente com a cara virada para Jerusalém.

É possível admitir dois grupos de sepulturas escavadas nas rochas:

• As sepulturas não antropomórficas são de morfologia retangular simples ou com laterais arqueados, trapezoidal ou oval. Em termos cronológicos são as mais antigas e datam do séc. VII.

• As sepulturas de morfologia antropomórficas apresentam a forma humana e são mais elaboradas, com os ombros marcados e a cabeceira distinta, com os pés simplesmente arredondados. Em alguns casos a cabeceira tem uma ligeira almofada. Em termos cronológicos são mais recentes, datam da Baixa Idade Média (entre finais do séc. IX e meados do séc. XI).

Pelas pesquisas realizadas, podemos afirmar que são raras as sepulturas que têm tampa. As tampas ou lajes eram geralmente de granito, algumas encontradas nas proximidades, tinham a função de cobrir o corpo/defunto e, em geral, eram pouco trabalhadas, normalmente sem desenhos ou sem gravuras. Para evitar a entrada de água das chuvas dentro das sepulturas e permitir o melhor encaixe da cobertura, era criado um rebordo à volta da sepultura.

Augusto Moura Brito
Julho 2017



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