A farmácia em Loriga

A actual Farmácia Popular de Loriga é desde há muitas décadas o único estabelecimento deste género em Loriga, tendo sucedido a outras farmácias em tempos já distantes.

Na última década do século XIX, a vila de Loriga despertava para o desenvolvimento industrial. Com o aumento da população, tornou-se notório o crescimento comercial. É no ano de 1893 que vamos encontrar os primeiros registos da existência de uma farmácia em Loriga, apesar de muitos a considerarem não oficial.

O primeiro farmacêutico em Loriga foi o Senhor Herculano Rodrigues de Gouveia e Silva, que esteve em Loriga desde 1893 até 1919 ou 1920. A partir de 1925 existiu a Farmácia Moderna situada na Rua Gago Coutinho. Teve como proprietário José Soares Pereira da Rocha que se manteve na localidade até 1930, por ocasião do seu casamento com uma senhora do Paul onde passou a morar e estabeleceu a farmácia.

Devido à grande necessidade de uma farmácia em Loriga, a firma industrial Leitão & Irmão comprou no Fundão as estantes e medicamentos da farmácia Barata e contratou o farmacêutico Luiz Magalhães Lemos Mesquita para a dirigir. Nessa ocasião, este senhor estava já separado da actriz Cremilda d`Oliveira tendo ficado hospedado na pensão Lemos. Era conhecido por ser uma pessoas de invulgar honestidade e de poucas palavras. Manteve-se pouco tempo em Loriga, supondo-se que a sua partida se deveu a divergências com o médico local.

Por volta do ano de 1930, vivia-se em Loriga um clima de instabilidade social, que dividiu os loriguenses. O relacionamento entre um sector da população e o controverso médico Dr. António Gomes, em funções facultativas municipais, não era o melhor originando mesmo um ambiente de guerrilha que fez correr muita tinta nos meios da comunicação social da região. Essas quezílias vieram a afectar o pleno funcionamento do comércio farmacêutico. Por isso o negócio era pouco rentável, especialmente porque era possível adquirir os medicamentos noutro estabelecimento comercial sem ser a farmácia. Tendo o farmacêutico Marrazes contraído tuberculose, partiu para a sua terra natal onde veio a morrer.

Sucedeu-lhe outro farmacêutico o Senhor Zagalo Ilharco, que não estando na disposição de se calar perante o que se estava a passar, veio a descobrir a existência de uma sociedade entre o médico local e o referido estabelecimento comercial. Consta-se que mandavam vir de Lisboa todos os medicamentos que depois o médico passava aos seus doentes evitando assim que estes os comprassem na farmácia.

A Junta de Freguesia e a Sociedade de Propaganda e Defesa de Loriga, reuniram-se para resolver todas as divergências existentes, sendo nomeado uma comissão composta pelo Presidente da Junta, António Cabral Leitão, Presidente da S.P.D. de Loriga, José de Brito Crisóstomo e o Presidente da Associação Católica de Operários, Padre António M. Cabral Lages. Todas as divergências viriam a terminar porque, entretanto, o médico em questão deixou a Vila de Loriga.

A Farmácia em Loriga continuou durante anos a pertencer à firma Leitão & Irmão e, mais tarde, veio a ser adquirida pela Dra. Amália Brito Pina, que foi sua proprietária durante mais de cinco décadas. Passou então a ter o nome de Farmácia Popular de Loriga. Em 30 de Junho de 1999, deixou de pertencer à Dra. Amália e passou a ser gerida em sociedade com a designação de Farmácia Popular de Loriga, Lda., com a direcção técnica da Senhora Dra. Paula Alexandra C. Rodrigues.

No ano de 2005, a Farmácia Popular de Loriga deixou de ser na Rua do Santo Cristo, onde durante décadas esteve sediada, passando para a Rua Sacadura Cabral no local do antigo café de muitas recordações para os loriguenses



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